16.4.15

O uso de Desenhos Animados em sala de aula


Por Jairo Alves (Projeto apresentado na disciplina de Estágio Supervisionado II: Oficina de Inst. Didáticos, do curso de graduação da Universidade Estadual Vale do Acaraú-UVA-2010)








INTRODUÇÃO       

Através da utilização de fontes alternativas como desenhos, fotos, charges,
revistas e documentários. Temos o objetivo de criar um projeto “político” e “pedagógico”, político no sentido de formar um cidadão crítico para lhe dar com os problemas da sociedade, e pedagógico para possibilitar a intenção da escola de formar um cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. ( DI PAULA, Márcia Regina. Organização do Trabalho Pedagógico. Curitiba: Ibpex, 2008, p.103.)
Os desenhos animados muitas vezes voltados para o conteúdo histórico, como o desenho que conta a história da chegada da família real no Brasil ou mesmo a história contada por marionetes que é exibido regulamente pela TV Escola, pode servir como forma de tornar a aula mais interessante para o aluno. Levando em conta a faixa de idade de cada serie, o conteúdo deve ser apresentado em escala crescente de complexidade, quanto maior for o grau de desenvolvimento do aluno por série.
O fato de trabalharmos com desenhos animados em sala de aula, se torna justificado já que vários desenhos exibidos pela TV aberta brasileira tem viés pedagógico, como o desenho “As Aventura de Hércules”, de caráter mitológico que conta por capítulos apresentados, pequenas histórias do semi-deus Hércules e a relação deste com os deuses da Mitologia Grega. Assim podemos trabalhar o Mito na sociedade antiga e principalmente o entendimento do aluno sobre os conflitos existentes na sociedade ao logo da História.
Temos assim, diferentes ferramentas visuais para se trabalhar em aula, como os desenhos que podem ser usados tanto os que são exibidos pela TV aberta (As Aventuras de Hércules, A Chegada da Família Real no Brasil etc.) como revista em quadrinhos como os da Turma da Monica, Mafalda e diversas Charges de fácil acesso em livro. Os desenhos representam o primeiro contado da criança com a história, visto que antes do aluno começa sua vida estudantil por volta dos 05 anos de idade, ou de 05 a 12 anos, quando a criança passa a questionar o porquê das coisas, e inicia-se a sua busca para entender o mundo a sua volta. 
Ela assiste a uma série de desenhos animados e ver uma alguns filmes que podem servir como primeiro passo do professor em sala de aula.
Sem perceber a criança tem o envolvimento com a história, até nos desenhos animados que ela assiste em casa, estes muitas vezes retratam fatos históricos, e pode ser uma metodologia diferenciada para o uso dos mesmos pelo professor. A aprendizagem também se processa fora da escola, através de diferentes meios, o que não pode ser negligenciado pelo professor.  (SILVA, Marcos Antonio. Represando a História. 6ed. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1994. p.22)
Diferenciando as aulas de história para que elas não “sejam algo livresco”, a relação desta metodologia de uso de gravuras, desenhos animados, filmes, revista e livro didático têm como objetivo primeiro, o desenvolvimento de noções de cidadania, de senso critico, e de transmitir ao aluno o entendimento de seu papel na sociedade.
O jovem que encontrasse no meio muitas vezes confuso da sociedade, deve ter o entendimento da sociedade como o todo e a sua importância para modificá-la.
Trabalhando para que o aluno compreenda de forma sutil os conflitos dos quais ele faz parte, sem perceber. Com perguntas simples, como por que ele estuda em uma escola pública? O motivo pelo qual ele não tem dinheiro para o lanche? E recursos para o material escolar?
É possível trabalhar logo na sua fase de desenvolvimento (series 5º à 9º ano) o seu senso crítico, para que o aluno perceba os problemas sociais existentes na sociedade.
O desenho “Hércules”, que passou por diversas vezes na rede de televisão aberta serve para relacionar o desenho com o conteúdo de história antiga. Já que esse desenho conta as aventuras de um semideus, Hércules filho de uma humana com o deus da mitologia grega Zeus. A partir daí, o professor pode fazer a relação dos personagens com o conteúdo do livro didático, na matéria de história antiga. Buscando entender os conflitos do personagem com a sociedade que ele vive, pode se traçar um paralelo com a sociedade moderna e observar junto com o aluno quais os problemas que um jovem enfrenta na sociedade de hoje, nesse paralelo compreender qual o papel do jovem ao longo da história.
 Porém, devesse tomar cuidado com as armadilhas da história, devemos discutir com os alunos os conceitos de “Diferentes Deuses”, “Mitologias”, “Realidades Históricas” de povos variados, para não se ter a noção de sociedade humana, como uma sociedade homogênea e perfeita, sem conflito. É preciso trabalhar a noção de humanidade, igual como espécie, mas diferente como sociedade, sempre em busca dos conflitos existente nas sociedades dos homens ao longo da História. 
Perguntando, por exemplo, quais sãos os deus da mitologia grega que são mencionados no desenho? Quais são os outros deuses que se conhece, além dos que são apresentados no desenho? Quais outros mitos de culturas diferentes da grega se conhece? 
Podemos trabalhar a pluralidade de religiões, a partir de comparações de religiões diversas, de povos diferentes. O que o aluno percebe de diferente na forma de agir e nos costumes do personagem para a nossa realidade? O que ele percebe de histórico no desenho? Quais os conflitos enfrentados por ele?
Outra fonte de mídia que pode ser utilizada pelo professor para relacionar o conteúdo do livro didático com os fatos históricos, são os filmes, estes são voltados para series mais avançadas, como alunos do ensino médio. Estes podem aborda temas mais complexos como as relações de gênero entre homem e mulher ao longo da história, a relação de pai e filho, etc.
Exemplo: o filme “300 de Esparta” onde mostra a rígida educação dos meninos gregos na Esparta da antiguidade. Ou os filmes da série “Harry Potter”, onde se retrata os mitos medievais como os bestiários como o Dragão, o Unicórnio, o Lobisomem, Bruxas e etc. Já no descobrimento da América temos o filme “1492 o descobrimento do paraíso”, que mostra o choque da cultura europeia com a ameríndia.

DELIMITAÇÃO DO TEMA          
            Relacionar o conteúdo didático das aulas de história com os desenhos animados que as crianças assistem em casa, e criar a possibilidade de interligar disciplinas diferentes de forma inter-disciplinar, como história e  geografia.

OBJETIVOS
Gerais
A metodologia proposta pelo projeto, é que o professor, demonstre para aluno através da discussão professor-aluno (debate) que a história esta em sua volta, “todo o tempo”, até quando o mesmo encontrasse assistindo um desenho ou um filme.
Assim, temos o pré-suposto de “conhecimento de mundo do aluno”, que pode ser discutido em sala de aula, antes de se fazer o trabalho com as mídias, como desenhos animados, filmes, documentários, slides e transparências.
Além que o professor deve buscar horários alternativos para assistir os filmes e fazer uma discussão critica junto com os alunos, já que esta é a principal proposta do projeto, pois não tem muita utilidade passa o filme sem as devidas observações do professor, visto que estes são feitos para o mercado capitalista e muitas vezes contam uma História diferente da que deve ser abordada pelo professor (História crítica).  
 Inovar as aulas de história através da busca de fontes diversas, além do livro didático, como os desenhos animados, mapas mundiais, revista em quadrinhos, o uso do globo terrestre e filmes etc.
Especifico
Despertar o interesse do aluno no conteúdo de História ministrado em sala de aula a partir do cotidiano do aluno em casa e através de fontes diversas em sala de aula.
 Assim, com recursos diversos conseguiremos aguçar o interesse do aluno pela a História, ficando mais fácil trabalhar o senso critico do mesmo, com esse método conseguiremos transmitir com maior facilidade a noção de importância que o indivíduo tem na sociedade.
Valorização da experiência extra-escolar; como regra da LDB. (TITULO II, Art. 3º, Inciso X).
Desenvolver a capacidade de aprender do aluno, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, e da escrita. (LDB. CAPÍTULO II, Seção III Do Ensino Fundamental, Art. 32º, Inciso I)

JUSTIFICATIVA
Notando que cada vez mais a discussão dos profissionais da educação, diz respeito ao desinteresse dos alunos pelo conteúdo histórico, e aceitando a crítica de Paulo Freire de que talvez o “desinteresse dos alunos pelas aulas seja uma forma de resistências pela forma tradicional como as aulas são ministradas”. Propomos buscar despertar o interesse dos alunos pelos conteúdos de História através de ferramentas alternativas em sala de aula. 

METODOLOGIA
Após assistir algum episódio de uma lista de desenhos, com o qual haja a relação entre o conteúdo do livro e o desenho, o professor pode fazer a relação deste conteúdo com a história.
Pode-se indagar o aluno a fazer uma crítica ao que ele acaba de assistir, com isso buscamos gerar no aluno uma opinião crítica a respeito do mundo que o rodeia.
Por exemplo, o desenho “Hércules” pode mostrar a influência da civilização Grega no mundo moderno. Já o desenho “Cavaleiros dos Zodíacos” pode mostrar a relação de interação entre diferentes culturas, visto que este desenho animado faz uma, mistura de elementos da mitologia  Grega com a mitologia Zoroastro dos Persas.
O clássico filme “Tempos Modernos”, onde se retrata o homem moderno diante das mudanças que os avanços tecnológicos trazem a vida dos trabalhadores e a dificuldade de sobrevivência diante das imposições do mercado capitalista, nos permite analisar os conflitos enfrentados pelos trabalhadores nos centros urbanos. Além de podemos trabalhar outros livros como complemento do livro didático.

Cronograma de Execução:
      1º A aula se iniciaria com a explicação do projeto pelo professor, aos alunos, que devera fazer uma abordagem clara dos objetivos pretendidos por ele.
2º Aula em circulo, “mesa redonda”, com o levantamento de questões a serem respondidas na sequencia da disciplina.
3º Pesquisa teórica do tema para aproximar o educando do conteúdo estudado.
4º Exposição do tema pelo professor, exemplo Capitulo 5º do Livro Nova História Critica (SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração 1999. p.75-89), analise da Revolução Francesa como um processo Histórico, como consequência de fatores que vinha se aglutinado naturalmente, visto que os servos vinham sofrendo com a exploração dos senhores feudais na Idade Media, ocasionado indignação e revolta no Terceiro Estado francês (A sociedade francesa era dividida em três Estados 1º Membros do Clero, 2º Nobres e 3º Pequenos comerciantes, artesões, etc).
5º Exposição de Slides ou Documentário sobre a Revolução Francesa.
5º Analise e discussão em turma, após exposição das mídias, para questionamentos, seguida de levantamento de respostas para os questionamentos feitos na aula.
6º Produção de texto síntese do que foi estudado em sala de aula pelos educando. 

Avaliação dos Alunos que Participaram do Projeto:
            Avaliação será realizada de modo a incentivar a participação dos alunos nas aulas de História, incentivando a produção de textos sobre a opinião dos mesmos sobre o tema discutido. Deixando o método tradicional de lado, que utiliza provas objetivas, pelo método de produção de texto pelos alunos.
·         Nota por participação.
·         Nota pelo Texto Síntese do Tema produzido pelos alunos.
·         Nota pelo Texto Entendimento do tema pelo aluno.

Exemplo de Livro a ser utilizado pelo professor:
·         ROUSSEAU, Jean Jacques. Do Contrato Social. 3ºed.  São Paulo. Editora Martin Claret, 2009.
Livro Clássico da Literatura Mundial pode ser usado para explanar o pensamento dos teóricos que contribuíram para a Revolução Francesa. Essa explanação pode ser feita com a leitura de pequenos trechos do livro, assim, temos o contato da Disciplina História com a Disciplina de Letras Português, objetivando incentivar a leitura de livros diversos pelo aluno, e não só o livro didático.
·         SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração 1999. Livro do 7º ano do Fundamental II traz o conteúdo da Revolução Francesa (paginas 75-89) de forma crítica.
·         Charges do Livro acima:
P. 70 Um quadrinho da Mafalda criticando a noção do que é ser americano.
P. 296 Figura crítica da forma como a escravidão foi abolida no Brasil.

BIBLIOGRAFIA
DI PAULA, Márcia Regina. Organização do Trabalho Pedagógico. Curitiba: Ibpex, 2008, p.99-136.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ºed. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1987.
VASCONCELOS, Francisca Verônica. Protagonismo Juvenil – Os Jovens da Década de 60 e os Movimentos Estudantis. Sobral. Projeto de Oficina de Instrumento Didáticos, 2009.
SILVA, Marcos Antonio. Represando a História. 6ed. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1994.
MINI-CURSO
Discussões realizadas no mini-curso: Sobre História o Ensino e Pesquisa na Educação Básica, realizado na VII Semana de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú- UVA. Sobral, 2009.  
LEI
LDB, Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião, crítica ou sugestão, e ajude-nos a melhorar o Blog Ametista de Clio!