2.4.15

O EXPANSIONISMO DOS ESTADOS UNIDOS DA AMERICA

Por Jairo Alves
Introdução

Os Estados Unidos é uma nação relativamente nova, se comparado a outras nações do mundo, tem uma história bastante singular entre os países do continente americano, começando pelo seu processo de colonização em relação às demais nações americanas, em um espaço de tempo muito curto, passou de uma ex-colônia européia, para uma das maiores potência do mundo. E num tempo relativamente pequeno, passou a interferir nos interesses de outras nações, ou melhor, nos seus interesses dentro de outras nações, principalmente os da América Central e do Sul. 

Palavras Chave: Expansão, Imperialismo, Intervenção.

Surgimento da Nação
A historiadora Mary Junqueira diz que apesar de os Estados Unidos serem uma nação jovem, constitui-se hoje como uma das mais “antigas repúblicas e a mais velha democracia” do mundo, vivendo com uma constituição que vêm deste a sua origem. Não nós esqueçamos que os Estados Unidos, ou melhor, a sua independência (1776) foi um “farol” que irradiou pensamentos libertarias antes mesmo da Revolução Francesa (1789) e junto com está teve participação muito importante para a história do continente americano, como nação inspiradora ideologicamente. Assim, a ideia de a nação norte-americana ser vista como “um centro irradiador” da cultura Humanista, faz com que outras nações busque segui o seu exemplo, principalmente nos assuntos referentes à política. Tem sido o curioso destino dos Estados Unidos exercerem imensa influência no mundo moderno sem que eles mesmos compreendam cabalmente a natureza dessa influência.

Vejamos as influências culturais que temos hoje na musica, roupa, alimentação e a língua inglesa que chega até nós, principalmente com o cinema, que sempre mostra os americanos como defensores da humanidade e sendo extremamente patriotas. Recentemente tivemos a visita do presidente Barack Obama e o País parou para assistir pela TV o seu discurso.
Junqueira nos adverte que “os Estados Unidos não são um país homogêneo”, existindo assim, conflitos internos:

O mito que os norte-americanos são um povo excepcional, uma país fadado ao sucesso – especialmente o econômico – e que são, de alguma forma, condutores da humanidade não é recente. Ele foi elaborado durante o século XIX. É um mito fundador da identidade nacional norte-americana e que permeia a cultura daquele país.

Já no final do século XIX os Estados Unidos começam a exercer sua influência no continente americano de forma mais incisiva “anexando algumas ilhas do caribe e intervindo na América Central” durante a consolidação de seu papel de nação controladora da America, os Estados Unidos dizimaram índios, segregaram negros e excluíram imigrantes, num processo conduzido por homens brancos, anglo-saxões e protestantes.

O historiador inglês Eric Hobsbawm afirma no seu consagrado livro Era dos Extremos, que o papel de potência mundial que os norte-americanos têm hoje, foi devido a sua participação na primeira e segunda guerra mundial, diz “as guerras foram visivelmente boas para a economia dos EUA. Sua taxa de crescimento nas duas guerras foi bastante extraordinário” , os americanos passaram a fornecer recursos “praticamente ilimitado”, e posterior a guerra fez empréstimos para os países envolvidos no conflito, dando uma margem de retorno muito boa para os americanos. Por outro lado esse papel de destaque dos norte-americanos nas duais guerras é o resultado de todo um processo de expansão imperialista que ocorreu no século XIX.

No fim do século XIX, a indústria norte-americana já prosperava, o que ocasionava a necessidade de novos mercados consumidores. Nesse período o imperialismo dos países europeus sobre a Ásia e África preocupou os Estados Unidos, que procurando se firmar como potencia imperialista na América. O país começou a intervir na política interna dos países que surgiam durante o século XIX, principalmente após o seu processo de independência da metrópole espanhola. Temos um dos maiores exemplos de intensa influência interna em Cuba além da Nicarágua e a colonização de algumas ilhas do Caribe. Além que, a independência de algumas colônias espanholas foram incentivada pelos norte-americanos, como no caso do panamá.

Por volta de 1823 surgiu a possibilidade de uma aliança entre os países europeus para reconquistar as antigas colônias da Espanha, a Santa Aliança constituía-se da Prússia, Áustria e Rússia, nisso o então presidente James Monroe lança a famosa “Doutrina Monroe”, onde reconhece “os direitos de todos os povos americanos à autodeterminação nacional”. Há uma critica muito discutida, onde se diz que a parti desta Doutrina a América passou a ser não “América para os americanos” mas “América para os Norte-Americanos”, que nos dá a noção de como era o imperialismo norte-americano.

Conflitos na América Central, Interesses Americanos ou Norte Americanos?
Desde o fim do século XVIII que os Americanos tinham um particular interesse em Cuba, que até 1890 ainda era colônia Espanhola, apesar de vários conflitos internos por independência. Foi só em 1895, em mais uma revolta interna, que buscava a independência que os Estados Unidos viram a oportunidades de apóia o movimento, visando interferir futuramente nas relações com o mesmo, o congresso norte-americano reconheceu como legitima a causa cubana a favor da independência contra a Espanha e enviara um navio para “proteger os cidadãos e as propriedades norte-americanas”, só que o navio Maine afundou após um explosão misteriosas, a Espanha foi considerada culpada pela Explosão e os Estados Unidos entrara na Guerra, no mesmo ano os americanos venceram os espanhóis com certa facilidade.
Desde período em diante se inicia um processo de anexações de ilhas como a de Porto Rico, Filipinas e Havaí. Só que com o fim da Guerra Hispano-americana os Estados Unidos não garantiram a independência de Cuba mas a transformaram em um protetorado norte-americano, ficando o país governado por uma junta militar de 1898 à 1902. A partir de 1902 os norte-americanos deixam a ilha, mas antes força o governo cubano a incluir uma emenda a constituição cubana, a famigerada “Emenda Platt” proposta pelo senador americano Orville Platt, na “qual os Estados Unidos teriam o direito de intervir na ilha em vários assuntos cubanos”, tudo isso em nome da “ordem” e “estabilidade” do país. Vejamos o que diz o Artigo III da Emenda Platt:

III - Que o governo de Cuba permita que os Estados Unidos exerçam o direito de intervir no sentido de preservar a independência cubana, manter a formação de um governo adequado para a proteção da vida, propriedade e liberdade individual.

As constituições que em uma democracia normal devem ser a representação máxima da vontade de um povo, visto que representa o bem comum e geral de toda uma nação e por isso chega ater um caráter sagrado. No caso de Cuba, do inicio do século XX, teve seus direitos usurpados pelos americanos, nos evidência como os Estados Unidos tem uma política voltada para o Imperialismo mundial, característico do período de fins do século XIX. Temos ai, o embrião da Revolução Cubana, em que a população brutalmente explorada, resolveu dá um basta nessa condição de “País de faz de conta”.

Outro episódio digno de ser comentado e é mais uma prova do Imperialismo norte americano na America Central, é a famosa história de construção do Canal do Panamá, este território fazia parte da Colômbia, e segundo alguns estudiosos teve a sua independência arquitetada pelos norte-americanos, assim em 1903 o Panamá se torna independente da Colômbia, os Estados Unidos reconhecem essa nova nação de “imediato”, em troca cria-se dentro do Panamá uma espécie de zona neutra ou “zona do canal – uma região de 16 quilômetros de largura” que unia o oceano Atlântico ao Pacífico , evitando a circunavegação dos navios americanos por toda a América Latina.

Um dos presidentes Norte-Americanos que aprofundou a Doutrina Monroe foi Theodore Roosevelt, que completou a Doutrina com o que ficou conhecido como Big Stick (porrete grande), “Segundo ele, os latino-americanos são gente com a qual o governo norte-americano deveria falar suavemente, mas com um big stick na mão”.

A questão ideológica é primordial em qualquer conflito bélico, no caso do Imperialismo norte-americano, que buscava introduzir conceitos e valores norte americano, a outras culturas diferentes da sua, como no caso da cultura das ex-colônias espanholas, geravam um certo grau de desvalorização.

Os norte americanos esperavam afeiçoar as sociedades coloniais de acordo com o seu modelo político e ideológico, de modo que elas pudessem habilitar-se para se governarem a si mesmas ou para serem admitidas na própria União. Notemos que os estados conseguidos do México tanto por compra como por conquista foram incorporados a nação.

Os estudiosos apontam dois períodos de expansão norte-americana. O primeiro entre 1803 até 1853, que foi um período de crescimento interno, de movimento através do país desde a costa oriental até a costa ocidental, e de duas guerras de 1812-1814 com a Grã-Bretanha e a Guerra Mexicana de 1846-1848, que embora não estivesse essencialmente ligado à aquisição de novos territórios, envolveu consideráveis e reconhecidos interesses expansionistas. E em 1853 este processo de expansão interna se completa com a compra de mais um pedaço de terra do México por dez milhões de dólares.

Já o segundo período de expansão se dá em um período anterior a Guerra Civil, quando se desenvolve a idéia norte-americana de uma missão nacional. Que missão é essa? Difundir a cultura “superior do povo do norte” aos de cultura inferior, principalmente aos povos do sul.

A secularização dos primitivos conceitos puritanos, o sentido cresceste do pacto que o povo norte-americano celebrara consigo mesmo durante a Revolução a na sua Constituição, a consciência intensificada de um destino norte-americano único, e a crença nesse destino, levaram inúmeros estadunidenses a apoiar sinceramente os vários argumentos em favor da expansão.

A vitória federal na Guerra Civil reforçou a idéia de missão. E em 1867, os Estados Unidos compram o Alasca da Rússia. Segundo Woodward se o período anterior foi meramente expansionista, segundo outros estudiosos, o desenvolvimento entre 1898 a 1920 foi genuinamente imperialista.

Como dito anteriormente a política do Big Stick possibilitou a intervenção norte-americana na Nicarágua, em Honduras e na República Dominicana. Em 1917, a os EUA compraram as Ilhas Virgens da Dinamarca. As Ilhas Milho, que pertencentes à Nicarágua, foram arrendadas com a finalidade de servir como base de defesa da entrada do Caribe, e assim proteger o estratégico canal do Panamá, além de reivindicarem-se minúsculos atóis de coral para instalarem-se estações de comunicação, como diz Woodward o “Caribe passou a ser um lago norte-americano.”

Em alguns casos os EUA não ganharam economicamente com a colonização, visto que submetia a suas colônias ao mesmo sistema econômico interno, vejamos que o Alasca e o Havaí foram submetidos à lei tarifaria norte-americana ao serem anexado, e Porto Rico em 1900 e as Ilhas Filipinas em 1909. Isso se dava devido às colônias serem todas produtoras primárias que encontravam nos Estados Unidas os seus principais mercados. Observasse este fato quando da rejeição das Filipinas de se desmembrar dos EUA em 1933. A independência nesse caso significaria a gradual exclusão do sistema protetor norte-americano.

Segundo Jean Fichou o sistema de colonização americano apóia-se na lei de mercado, no equilíbrio entre a oferta e a procura, entre a produção e o consumo. Um Expansionismo ditado pela lei do lucro necessitando de matérias-primas que faltem no continente (cana-de-açúcar) ou que não são renováveis (petróleo). “É preferível então consumir as dos outros antes de usar as próprias”.

Vejamos que a expansão norte-americana a partir de 1890, só ocorre após a balança comercial ter se tornado positiva ocasionando a expansão de filiais das companhias que precisaram ser protegidas.

Jean Fichou introduz um conceito interessante sobre a questão expansionista dos EUA, e faz um debate sobre os americanos serem ou não imperialista no sentido exato do termo. Ele argumente que os americanos possuem poucas colônias ou dependências, sendo em sua maioria insignificantes, vejamos que as colônias que os países europeus possuíam na áfrica eram imensos territórios. Por outro lado são “imperialistas visto exercerem uma influência considerável e crescente sobre várias nações. Se seu território não cresce, pelo contrário, eles consolidam sua influência sobre um vasto terreno”
Fichou ainda introduz o conceito de “Neo-Imperialismo”, a forma expansionista dos americanos:
trata-se de uma forma de neo-imperialismo. Em vez de enviar as carroças, eles enviam os vendedores. Eles não colocam governadores à frente das nações estrangeiras, mas controlam, freqüentemente de modo oculto, as economias e, portando, as culturas. Não é fácil distinguir o imperialismo “ofensivo” do imperialismo “defensivo”.

Notemos que os americanos possuem um certo numero de “dependências”, pequenas áreas de terras fora do seu espaço natural, em sua maioria ilhas, como já foi mencionado, que tinham finalidades estratégicas, Samoa, Guam, Havaí, ilhas Marshall etc.

Os Estados Unidos utilizou-se de várias técnicas para adquirir estes territórios. Primeiro a “negociação”, inicialmente, quando adquiriram as ilhas Samoa, Segundo a “sustentação de movimentos revolucionários” animados ou teleguiados por cidadãos americanos (Nicarágua), Terceiro a “força” enviando Marines para intervenções diretas como ocorria freqüentemente em Cuba, Quarto a “compra pura e simples” de um território e de sua população (Compra da Luisiana em 1803, e do Alaska em 1867). E por ultimo a “defesa dos cidadãos americanos” que tinham seus bens ou sua propriedade ameaçados por outras nações (Texas, Havaí).

Se analisarmos a guerra do Vietnã notaremos que ela representou o primeiro grande fracasso militar dos americanos, onde tivemos a oposição de armas de tecnologia das mais avançadas até então a armas e técnicas de guerrilha ultrapassadas, que mesmo primitivas do ponto de vista tecnológico, levou consideráveis baixas paras as forças armadas americanas. Essa derrota militar segundo Fichou acabou sendo positivo para os americanos já “conduziu o país a se questionar pela primeira vez sobre sua força real, sobre seu poder de persuasão, sobre a exemplaridade de sua cultura.”.

Considerações Finais
Os Norte-Americanos perceberam sedo, que quando se tem interesses econômicos em jogo, deve-se utilizar não só as armas convencionais mais a guerra ideológica, os regimes totalitários souberam utilizar-se da propaganda para alcançar seus objetivos, que era iludir as massas, no caso dos norte-americanos convencer sua população da necessidade de expansão, usando como discurso da não-expansão, o que parece contraditório, se não pensarmos que antes de se envia as tropas para solucionar um conflito em alguma área em litígio, os americanos primeiro fazem toda uma propaganda de defesa dessa intervenção militar. Em nome da paz? Talvez da paz dos interesses americanos. E da expansão do modo de vida americano, onde todos são livres para se expressarem ou possuir uma arma.

Como diz Eduardo Galleano “em toda a América Central, os embaixadores dos Estados Unidos presidem mais do que os presidentes” o intervencionismo dos Estados Unidos nas questões internas dos países da América Central faz com que estes países funcionem como “apêndice natural” dos americanos.
A ‘guerra cultural’ é assassina da escala das gerações pois os produtos transformam o modo e vida, a as técnicas provocam a mutação dos modos de pensamento e das heranças. A civilização coca-cola apenas faz bolhas Atualmente temos a Doutrina do Anti-Terrorismo, que a partir dos ataques do 11 de Setembro, norteia todas as ações de intervenção militares no Oriente Médio. Atacar primeiro, quando do surgimento de qualquer indício de atividade terrorista, para perguntar depois se os indícios tem fundamentos.
Vivemos o Imperialismo dos Estados Unidos atualmente, mas não o imperialismo de conquista territorial, e espoliação clássica dos recursos naturais, mas o imperialismo ideológico que domina nossas mentes e nos faz querer inconscientemente ser norte-americanos, talvez isso se deve ao modo de vida americano, que vai aos poucos dominando as mentes das novas gerações, que vivem alienadas dentro do sistema capitalista de consumo. 

BIBLIOGRAFIA
FILHO, Daniel Aarão Reis et. al. (Org.). O século XX. Rio de Janeiro: Civilização Brasiliense, 2000. p.67-92
FICHOU, Jean-Pierre. A Civilização Americana. São Paulo: Papirus, 1990.
GALLEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina. Rio de Janeiro: Paz e Terra 2004.
JUNQUEIRA, Mary Anne. Estados Unidos: a consolidação da nação. São Paulo: Contexto, 2001.
HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos – O breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
WOODWARD, C. Vann (Org.). Ensaios Comparativos sobre a História Americana. São Paulo: Editora Cultrix, 1967.

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