16.4.15

Guerra na Idade Média

Jairo Alves (Artigo da Disciplina Medieval I, Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA 2009)

“A função dos guerreiros ou guardiões seria auxiliar o governante na guarda e preservação da cidade. [...] precisaria necessariamente ser perspicaz para sentir o inimigo; rápido na perseguição desde o momento em que perceber sua presença; forte para combater quando apanhado e valente para lutar com energia” (Princípio: discussões filosóficas II, Maria V. P. Porto, UECE. citando Platão).  

Introdução
O objetivo deste trabalho é mostrar a concepção de Guerra na Idade Média, a partir da análise de algumas obras que tratam do assunto, usando como referencial teórico o livro de Michael Pastoreau; “No Tempo dos Cavaleiros da Távola Redonda”.  Pretendemos mostrar que o conceito de guerra varia com o tempo e às circunstancias. A pesquisa é centrada no cavaleiro medieval, seu modo de vestir, as suas armas, a posição social, etc. Além de apresentar a influência da Igreja, e sua busca de controlar estes conflitos, através de regulamentações determinavam o período, ao longo do ano, em que se poderia ocorrer às batalhas, além de canalizar os conflitos a favor de seus interesses, surgindo o movimento das Cruzadas.

Guerra na Antiguidade
            Platão na Antiguidade mostra as qualidades de um bom guerreiro, que deve auxiliar o governante na administração da polis, é determinante para o exercício dessa função o ânimo ou a capacidade irascível, pois somente através dela é que o guerreiro se tornará invencível e o medo e a derrota não fará parte do seu modo de ser. Entretanto, adverte Platão que não adianta ser dotado apenas da irascibilidade; todo guerreiro deve saber fazer uso da virtude que o auxiliará a ser bom guardião, sabendo equilibrar o seu ânimo, senão o guerreiro permanecerá em constante luta e conflito, sendo assim um risco no interior da sociedade (PORTO, 2008).

 Percebe-se que o guerreiro medieval não esta muito distante da visão de Platão, com características próprias do período como a Honra, como mestra das relações, e a Fidelidade, são conceitos que influenciam nas atitudes do cavaleiro.
Combater é a razão de ser do cavaleiro, “ele é um soldado de Deus, que deve temperar seu gosto pela guerra e submetê-lo às exigências da fé” (PASTOREAU, 1989). A literatura medieval (Compreendem-se por literatura medieval as canções de gesta, que falam das aventuras dos cavaleiros) fala de guerra justa, de paz magnânima, que exalta a bravura dos que combatem para fazer valer os direitos de seu senhor, para defender os ministros e os bens da Igreja, para levar assistência a todos os fracos, a todos os pobres que têm necessidade deles.
Segundo M. Pastoreau, “a guerra medieval não é gloriosa, mas mercenária, a paz não é nobre, mas humilhante e desonrosa. As grandes batalhas são raras e pouco sangrentas; as mortes sublimes não existem, uma realidade muito diferente das canções de gesta”. As guerras entre nações não existem. Não há senão lutas entre um senhor e seu vassalo, rivalidades entre dois feudos, vinganças entre duas linhagens. As incessantes disputas que opõem os reis da França e da Inglaterra não são de maneira nenhuma um conflito entre dois países, mas uma guerra privada entre um poderoso vassalo e seu suserano, em que cada um procura um meio legítimo de fazer respeitar o que acredita ser seu direito. A guerra do século XII é sempre uma busca de despojos. Para os poderosos que a conduzem, isso representa mais uma necessidade que uma avidez vulgar: os bens saqueados servirão para pagar os mercenários, fortificar os castelos, recompensar os vassalos que colaboraram para a vitória e, ao fazê-lo, assegurar uma vez mais sua fidelidade para operações futuras (PASTOREAU, 1989, p.103). 
O cavaleiro medieval necessita dos despojos para cobrir os gastos, que há para poder se manter como cavaleiro: alimentar o cavalo, garantir a sua subsistência e de seu escudeiro, comprar espadas, escudos, bestas, etc. A guerra não é para vencer ou matar o inimigo, mas capturá-lo, despojá-lo de seus bens, saqueá-lo.
            A Igreja foi a primeira a intervir nesses conflitos. Além da convocação para as cruzadas e o estabelecimento da cavalaria – duas instituições destinadas a canalizar para o serviço de Deus os impulsos guerreiros dos combatentes -, ela tomou, ao longo do século XI, diferentes medidas exemplares para restringir as conseqüências das guerras. Na metade do século seguinte, tais medidas podem ser agrupadas em duas grandes regras: a paz de Deus e a trégua de Deus. A primeira destina-se a proteger os não-beligerantes (eclesiásticos, mulheres e crianças, agricultores, peregrinos, comerciantes) e certos bens de utilidade pública (igrejas, moinhos, colheitas, animais de lavoura), colocando-os sob a “paz de Deus”, para que não sejam atacados nem destruídos, é a partir daí que aos poucos, torna-se universalmente aceita a idéia das igrejas como santuários.
Esta prescrição da Paz de Deus foi, de um modo geral, aceitas sem contestações, por toda Europa Ocidental, Provavelmente porque pouca influência tinha no desenrolar das operações militares (FILHO, 1989). A segunda proíbe as hostilidades em certos períodos do ano (Advento, Quaresma, Páscoa), ou da semana (de sexta-feira à noite a segunda-feira de manhã) que supõem uma vida religiosa mais intensa. Violar a paz ou a “trégua de Deus” é uma infração particularmente grave, que implica a excomunhão e a citação perante um “tribunal de paz” formado de senhores e prelados. As sanções desse tribunal são extremamente severas (PASTOREAU, 1989).  
            Inicialmente respeitadas e eficazes, essas regras caíram um pouco em descrédito desde que a Igreja resolveu ampliá-las: especialmente no início do século XIII, quando tentou impor a trégua de Deus toda semana de quarta-feira à noite a segunda de manhã.
            A partir dos anos 1220-1230, a guerra começa a ser refreada. Às restrições impostas pelas estações (não se costuma combater no inverno), pelas circunstâncias atmosféricas (suspende-se a batalha quando começa a chover), pelas horas do dia (jamais se luta à noite) e àquela determinada pela Igreja (as antigas paz e tréguas de Deus), somam-se agora as que emanam de um poder soberano cada vez mais influente. Em tempos de paz o cavaleiro gasta seu tempo em torneios.

Os Mercenários
            Os Mercenários são raros no início do século XII, usados pelos reis da Inglaterra, mas a partir dos anos 1160-1170 tornam-se então um tormento para todo o Ocidente: andam em bandos, utilizam técnicas que visão matar invés de captura (facas, arpões, bestas). São mais perigosos em tempos de paz do em tempos de guerra. São caçados e quando capturados sofre severos castigos (em 1182, Ricardo Coração de Leão manda degolar a metade de um bando de mercenários aprisionados, e liberta os outros depois de ter-lhes vazado os olhos), a Europa ocidental terá que conviver com esses delinqüentes pelo menos até a metade do século XV (PASTOREAU, 1989).  

As Armas Medievais
            É surpreende a variedade de armas e vestimentas, tanto entre os cavaleiros quando entre os que lutam a pé.
            A razão principal dessa disparidade é o fato de cada combatente se armar às próprias custas. O equipamento custa caro; poucos são aqueles que possuem um completo. Há casos de candidatos a cavaleiro que são obrigados a adiar a data de sua ordenação, devido à falta de recursos para aquisição do equipamento adequado. O equipamento padrão deveria compreender, pelo menos: a cota de malha, o elmo, o escudo, a espada e a lança; o de escudeiro a cavalo: a jaqueta reforçada, o capacete de ferro, a espada ou o venábulo, o arco ou besta, além de outras armas de ataque, como atiradeiras, clavas, porretes, facas e ganchos de vários tipos (PASTOREAU, 1989).  
            A cota de malha é, para o cavaleiro, a principal peça do equipamento defensivo. É uma espécie de túnica metálica, feita de pequenos anéis de ferro ou aço, que é enfiada como uma camisa e que adere ao corpo por um cinturão; desce até os joelhos e é aberta na frente e atrás para facilitar a subida no cavalo, tendo na parte superior um capuz que envolve o pescoço, a nuca e o queixo. A cota de malha deriva de uma vestimenta semelhante usada pelos guerreiros dos séculos X e XI, de couro ou de tecido grosso, que aos poucos foi sendo coberto por anéis de metal. Esta vestimenta surgiu com a idéia de entrelaçar anéis de ferro para forma um tecido que dispensava o suporte de couro ou de pano. No final do século XII, um boa cota de malha é formada por cerca de trinta mil anéis e pesa de dez a doze quilos (PASTOREAU, 1989).
            As duas outras peças essenciais do armamento defensivo são o elmo e o escudo. As dimensões do escudo em forma de amêndoa são de fato consideráveis: cerca de um metro e meio de altura, e largura compreendida entre cinqüenta e setenta centímetros; cobre inteiramente o combatente, do queixo aos dedos do pé, e serve de maca após a batalha.
            Manejar o escudo é uma arte difícil, que requer, segundo nos relatam os textos, uma longa aprendizagem.  
            O escudo em forma de amêndoa não é o único. O antigo escudo redondo dos cavaleiros carolíngios não desapareceu completamente no século XII. Mas, se os cavaleiros ainda fazem uso dele, parece antes reservado aos escudeiros a cavalo e a alguns infantes.  Recapitulando as principais armas de defesa: malha de cota, elmo e escudo. Vejamos agora o equipamento de ataque dos combatentes. A espada é a arma do cavaleiro por excelência. É constituído de três partes: lâmina, o punho, e o botão do punho. O tamanho e a forma variam bastante; mas a mais comum é a espada “normanda”, de um metro de comprimento e cerca de dois quilos de peso. A lâmina é larga (de sete a nove centímetros), feita de um aço pesado amenizado por um ou dois sulcos de cada lado, e às vezes damasquinada. Utiliza-se mais como arma de corte do que como arma de estocada, e não tanto para matar o adversário quando para espancá-lo. A ponta é usada apenas para furar os escudos ou rasgar a cota de malha. O punho é a parte da espada mais ricamente decorada; estreita e comprida – pois costumasse segurá-la com as duas mãos, é protegida pelos dois guarda-mãos, retos ou curvados no sentido da lâmina. Considera-se a mais nobre das armas, o símbolo da justiça e da autoridade. Todo cavaleiro procura conservar a sua pelo maior tempo possível, antes de transmiti-la ao filho ou ao afilhado em cavalaria.   
            A lança é uma arma de estocada. Seu comprimento (cerca de três metros) e peso (de dois a cinco quilos) impede que seja utilizada como um dardo. A haste é pintada e feita de uma madeira rígida capaz de resistir aos choques. A “empunhadura” da lança é entalhada e às vezes coberta de uma pele; nesse caso é designado pelo nome de quamois (camurça). Cavalgando pela estrada, a lança é levada verticalmente; em combate, é colocada tanto na posição horizontal (sobre o ombro ou sob a axila, à altura da cabeça ou dos quadris) quanto na oblíqua; nesta última caso , a haste é calçada por uma almofada de feltro colocada diante da sela. O essencial é resistir ao choque, e utilizar o impulso da arremetida para derrubar o adversário, transpassar o escudo e rasgar a cota de malha.     
            Entre as armas de arremesso, é preciso mencionar a atiradeira e, sobretudo, o arco e a besta. O arco é de madeira, mais raramente de metal ou osso; sua dimensão varia entre um e dois metros, mas os mais curtos parecem ter sido os mais famosos. Ele dispara uma flecha de cerca de noventa centímetros a uma distância que pode ultrapassar duzentos metros. O uso da besta, embora bastante antigo no Ocidente, impôs-se verdadeiramente apenas na segunda metade do século XII. Considerada pérfida, extremamente mortífera, indigna de um cristão, por muito tempo foi proibido pela Igreja. Ainda em 1139, o Concílio de Latrão a reserva apenas para a guerra contra os infiéis. A vantagem da besta consiste em não cansar o braço que mantém a corda estendida, o que proporciona maior facilidade para se fazer a pontaria.    Contudo, sua força e alcance são menores que os do arco; e, além disso, seu manejo é mais complexo: enquanto um besteiro dispara duas setas, um arqueiro arremessa dez, doze ou quinze flechas.   

Invasão a Fortificações ou Guerra de Cerco
Um cerco é um empreendimento previsto para durar muito tempo, no mínio algumas semanas, podendo chegar a vários anos. Às tropas de Filipe Augusto; e a cidade de Acre não se rendeu aos cruzados senão após um cerco de quase dois anos (outubro de 1189 a julho 1191). Daí o numero e a variedade de edificações levantadas pelos sitiantes em redor da fortaleza: instalação de tendas, abrigos, barracões de madeira para abrigar os homens, os víveres, os animais e o material; trabalhos de terraplanagem, fossos, paliçadas para cercar o lugar e impedir a chegada de eventuais socorros; construção de escadas, torres, galerias sobre rodas para se aproximar das muralhas.
Estas não devem apenas resistir aos homens, mas também a um verdadeiro bombardeio de artilharia. Graças à experiência dos cruzados, há com efeito, um aperfeiçoamento dos engenhos de guerra, inspirado nos equipamentos árabes e bizantinos. Apesar de sua diversidade, pode-se agrupá-los em duas categorias: engenhos à mola e engenhos a pêndulo. Os primeiros são enormes catapultas, cujas dimensões e complexidade impediam sua construção no local; era preciso trazê-las de longe. O tipo mais comum se assemelha a uma besta gigantesca capaz de arremessar dardos, balas de ferro e lanças incendiárias. Os segundos são máquinas de arremesso mais sumárias, semelhantes às da Antiguidade. Montadas no local por carpinteiros, sob a direção de um engingnieur, podem lançar enormes pedras, material incendiário, produtos asfixiantes (enxofre inflamado, por exemplo), às vezes até corpos em decomposição para propagar uma epidemia na fortaleza.    
            O que importa não é visar um alvo preciso, mas concentrar o ataque num mesmo lado da fortaleza para neutralizar o adversário nesse local. Enquanto isso, um grupo de cavoucadores abre fossos, e outro, protegido pelo teto de uma galeria sobre rodas, avança até o pé das muralhas para tentar arrancar as pedras. Às vezes, empreende-se um avanço até uma galeria subterrânea, a fim de abrir enormes cavidades nas fundações da fortaleza e ali atear fogo. Mais do que os engenhos de guerra, é esse trabalho de sapa que produz na muralha os abalos e as brechas que permitem a penetração dos atacantes. A menos que estes penetrem diretamente pelos portões, que cederam aos golpes do aríete, enorme viga de madeira rígida (às vezes, com uma extremidade metálica) de seis a dez metros de comprimento, suspensa por cabos à maneira de um andaime e acionada num movimento de pêndulo por uma dezena de homens. A conquista das muralhas através de escadas e o combate corpo-a-corpo que se segue, embora frequentemente representados nas iluminuras, parecem ter sido bastante raros na realidade.
            Isso porque os sitiados dispõem de meios eficazes para repelir os assaltos inimigos. Não apenas instrumentos e líquidos em ebulição usados contra os que escalam os muros através de escadas, não apenas torres de madeira que se deslocam rapidamente e de onde seus arqueiros e besteiros podem dominar os atacantes, mas sobretudo engenhocas e catapultas exatamente iguais às empregadas pelos invasores. Para os sitiados, com efeito, o essencial é destruir rapidamente, por meio de seus próprios engenhos, as máquinas de guerra adversária.  Os “bombardeiros” ocorrem assim nos dois sentidos, como nos futuros combates de artilharia. Apesar de seu aspecto impressionante, a eficácia desses engenhos é bastante rudimentar. O carregamento é extremamente lento.
            A paciência parecer ter sido uma arma mais eficaz que a combatividade, pois sabemos que, no século XII, a queda de uma fortaleza se deve na maioria das vezes ao cansaço à fome, à epidemia ou a traição.

A Batalha
            A tática é relativamente simples. No momento do confronto, cada exército alinha-se grosseiramente em três filas. Na primeira, agachados, os soldados da infantaria armados de lanças e chuços; na segunda, de pé, os arqueiros e besteiros; na última, os combatentes a cavalo, com o centro ocupado pelos cavaleiros, com o equipamento mais pesado, e os flancos, pelos escudeiros, com armas mais leves. Cabe a esses combatentes montados, e somente a eles, o papel ofensivo. Alinhados em fila única, devem fustigar o inimigo em assaltos sucessivos, avançando pelos flancos de sua própria infantaria, atrás da qual voltam a se abrigar sempre que um ataque não tenha sido decisivo. Arqueiros e lanceiros permanecem fixos; têm uma missão apenas defensiva: Seu único movimento é fechar os flancos (às vezes, até formar um círculo completo) quando a cavalaria se vê ameaçada de vários lados.
            Rapidamente, após dois ou três assaltos de parte a parte, a confusão torna-se generalizada e degenera numa série de combates individuais, ou talvez de pequenos grupos, cada vassalo e cada escudeiro procurando não se afastar da bandeira de seu senhor e de combater a seu lado. O que nem sempre é fácil. Desde os primeiros confrontos, os signos de reconhecimento visuais (estandartes, escudo e cotas de armas brasonadas) perdem-se de vista. Os enganos tornam-se freqüentes. É preciso recorrer a gritos de guerra, que aliás servem tanto para assustar o inimigo excitar os ânimos das tropas quanto para unir e reencontrar os seus no meio da confusão. Quando não são invocações políticas ou religiosas – como o famoso Diex aie (“Deus nos valha”) dos cruzados -, esses gritos de guerra são simples nomes de feudos, acompanhados ou não de um aposto. Assim, os homens do condado de Hainaut gritam orgulhosamente “Hainaut, o Nobre”, enquanto os chefes de guerra flamengos, em alusão aos brasões de seu condado, berram: “Flandres do leão”.   
             Mesmo quando a confusão é total, cada cavaleiro procura enfrentar apenas um cavaleiro adversário; isso nem tanto em virtude de certas regras de uma honra de cavalaria, que não é muito respeitada, mas por um propósito baixamente lucrativo: o que importa é fazer prisioneiros, exigir resgate e terminar o combate o mais rico possível. Não se costuma matar; captura-se para depois negociar. No auge da refrega processam-se assim negociações de todo tipo; pois os prisioneiros são libertados desde prometa pagar um resgate; e eles retomam em seguida as armas para tentar fazer, por seu turno, um prisioneiro cujo resgate compensará o seu. Por outro lado, hostilidades muito intensas abalam os juramentos de assistência e lealdade mais sólidos. Assim que o combate se torna um pouco áspero, assim que a fortuna se mostra um tanto vacilante, cada senhor deve renegociar a fidelidade dos que o acompanham. O dinheiro, também aqui, é o catalisador da batalha. A coragem certamente existe (a cota de malha, de resto, protege contra a maior parte dos golpes), mas a temeridade é uma virtude ainda desconhecida. Cada um procura sair ileso, física e pecuniariamente, da batalha, esquivando-se das setas das bestas (as únicas fatais), evitando ser desmontado por infantes, cuja função, no meio da refrega, é derrubar os cavalos e os cavaleiros.                    
            Nessas batalhas organizadas, as principais vítimas, portanto, é a infantaria, ferida pelos cavaleiros, pisoteada pelos cavalos, liquidada no momento da derrota. De fato, ninguém pede resgate pelos arqueiros e lanceiros. Entre os cavaleiros, ao contrário, mesmo que os feridos sejam numerosos, as mortes são raras.
           
As Cruzadas
            As Cruzadas eram expedições de cristãos para libertar a Terra Santa, atual Palestina, dos turcos muçulmanos, patrocinadas pela Igreja Católica. O nome Cruzadas deve-se ao fato dos cristãos tecerem uma cruz nas suas roupas, simbolizando o voto prestado à igreja.
O domínio dos turcos seljúcidas sobre a Terra Santa terá sido percebido pelos cristãos do Ocidente como uma ameaça e uma forma de repressão sobre os peregrinos e os cristãos do Oriente. Em 1095, no concílio de Clermont, o papa Urbano II exorta a multidão a libertar a Terra Santa e a colocar Jerusalém de novo sob soberania cristã, apresentando a expedição militar que propõe como uma forma de penitência. 

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA
DINIZ, Francisco R. A; AQUINO Jefferson A. de; CARMO, Luís A. Dias. Do (org.). Princípio: discussões filosóficas II. 2ed. Sobral: Edições UVA, 2008.
FLETCHER, Richard A. A cruz e o crescente: cristianismo e islã, de Maomé à Reforma. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004. 
FILHO, Cyro Rezende. Guerra e Guerreiros na Idade Média. São Paulo: Contexto, 1989.
MELLO, José Roberto. O cotidiano no imaginário medieval. São Paulo: Contexto, 1992.
PASTOREAU, Michael. No Tempo dos Cavaleiros da Távola Redonda. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

PAUL. O guia completo das cruzadas. São Paulo: Madras, 2007. 

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