3.9.15

Deus um delírio

Livro de linguagem simples e sarcástica, Richard Dawkins, faz uma apologia a ciência e ao ateísmo, em detrimento, da religião e de qualquer forma de superstição sobrenatural. Tendo como base os estudos de Charles Darwi, defende a tese do evolucionismo e em oposição ao criacionismo bíblico, rebatendo a tese do design inteligente defendida pelos criacionistas.
A primeira crítica que o autor faz a religião, é que ela, é portadora de um privilégio único: o de “estar além e acima de qualquer crítica.” Mesmo a mais clara, soa como hostilidade. “Tanto ateus como teístas observam inconscientemente a convenção da sociedade de que devemos ser especialmente polidos e respeitadores em relação à fé.” Segundo o autor, o fato de os pais doutrinarem seus filhos na sua religião já é uma incoerência, afirma as crianças são novas demais para entender conceitos abstratos, como os religiosos. “a opinião religiosa é o tipo de opinião dos pais que pode ser colada em crianças que, na verdade, são pequenas demais para saber qual é sua opinião. Não existe criança cristã: só filhos de pais cristão.” Ou filhos de pais evangélicos etc. Devemos sempre que possível combater esse tipo de atitude. p.14-17

No segundo capítulo do livro, Dawkins expõe o “Espectro de Probabilidades”, uma escala de extremos opostos, sobre os juízes de valores sobre a existência de Deus, que vai do teísta convicto (1) ao ateu consolidado (7): (p.79-80)



01 Teísta convicto. Probabilidade de 100% de que Deus existe. Nas palavras de C. G. Jung, “Eu não acredito, eu sei”. 

02 Probabilidade muito alta, mas que não chega aos 100%. Teísta de facto. “Não tenho como saber com certeza, mas acredito fortemente em Deus e levo minha vida na pressuposição de que ele está lá.”

03 Maior que 50%, mas não muito alta. Tecnicamente agnóstico, mas com uma tendência ao teísmo. “Tenho muitas incertezas, mas estou inclinado a acreditar em Deus.”

04 Exatamente 50%. Agnóstico completamente imparcial. “A existência e a inexistência de Deus têm probabilidade exatamente iguais.”

05 Inferior a 50%, mas não muito baixa. Tecnicamente agnóstico, mas com uma tendência ao ateísmo. “Não sei se Deus existe, mas estou inclinado a não acreditar.”

06 Probabilidade muito baixa, mas que não chega a zero. Ateu de facto. “Não tenho como saber com certeza, mas acho que deus é muito improvável e levo minha vida na pressuposição de que ele não está lá.”

07 Ateu convicto. “Sei que Deus não existe, com a mesma convicção com que Jung ‘sabe’ que ele existe.” 


O terceiro capítulo inicia-se com Dawkins rebatendo as chamadas Provas de Tomás de Aquino. “As cinco ‘provas’ declaradas por Tomás de Aquino no século XIII não provam nada, e é fácil mostrar como são vazias. As três primeiras são apenas modos diferentes de dizer a mesma coisa, e podem ser analisadas juntas. [São 1 O motor que não é movido. 2 A causa sem causa. 3 O argumento cosmológico] Todas envolvem uma regressão infinita – a resposta a uma pergunta suscita uma pergunta anterior e assim ad infinitum. Esses três argumentos baseiam-se na ideia de regressão e invocam Deus para encerrá-la. Eles assumem, sem nenhum justificativa, que Deus é imune à regressão.” Os outros dois argumentos de Tomás de Aquino, são 4 O Argumento de Grau e 5 O Argumento Teleológico, ou Argumento do Design. Inclusive esse último, é o único que ainda é usado na atualidade. Consiste em afirma que “As coisas do mundo, especialmente as coisas vivas, parecem ter sido projetadas. Nada que conhecemos parece ter sido projetado a menos que tenha sido projetado. Tem que haver, portando, um projetista, e a ele chamamos de Deus.”  p .111-114

A resposta de Dawkins para se opor ao Design Inteligente (essa tese consiste em atribuir sempre a um projetista, Deus, a criação de estruturas complexas da natureza e de difícil explicação cientifica, geralmente pontos de lacunas no conhecimento humano, que se supõe preenchidas por Deus), não poderia deixar de ser, a seleção natural: “A evolução pela seleção natural produz um excelente simulacro de design, acumulando níveis incríveis de complexidade e elegância.” p.115 “É exatamente o fato de o design inteligente não dispor de provas de si mesmo, mas florescer nas lacunas deixadas pelo conhecimento científico, que cria o desconforto na necessidade da ciência de identificar e declarar as mesmíssimas lacunas como prelúdio para pesquisá-las.” Ao contrário dos criacionistas, que defende o Design Inteligente, poderiam dizer por exemplo: “Se não há fosseis para documentar uma transição evolutiva postulada, a conclusão automática é que não há transição evolutiva, portanto Deus tem de ter intervindo.” p.172-173 Diriam também “Se vocês não entendem como uma coisa funciona, não tem problema: simplesmente desistam e digam que Deus a criou. (...) Caro cientista não estude seus mistérios. Traga seus mistérios a nós, pois podemos usá-los. (...) Precisamos dessas gloriosas lacunas para o último refúgio de Deus.” Assim, cada vez mais lacunas são preenchidas por pesquisas e trabalhos científicos, que menos lugar resta para Deus preencher. p.180

Outra afirmação que encontramos no livro é de que as pessoas mais instruídas e inteligentes tendem a ser menos religiosas ou ter qualquer tipo de crença, ou seja, as pessoas que aderem ao ateísmo são as mais inteligentes. p.144-145

Quando questionado sobre o abuso sexual comedido por padres católicos da Irlanda em uma entrevista, Dawkins, afirma que o ensino religioso a crianças chega a ser mais grave e causa mais prejuízo do que o próprio abuso sexual cometido por padres: “Respodi que, por mais horrível que o abuso sexual sem dúvida seja, o prejuízo pode ser menor que o prejuízo infligido pela atitude de educar a criança dentro da religião católica.”p.404

Assim o livro de Dawkins pode ser uma boa dica para quem queira saber mais sobre o ateísmo, e interessa-se por discursões cientificas sobre religião. Porem não recomendado para pessoas de convicções religiosas fortes e de fé inabalável, que não aceite críticas a religião, tendo em vista que o autor faz fortes críticas a Bíblia e a Deus, principalmente no antigo testamento.

Diz Richard Dawkins no prefácio: “Este livro é para você. Sua intenção é conscientizar para o fato de que ser ateu é uma aspiração realista, e uma aspiração corajosa e esplêndida. É possível ser um ateu feliz, equilibrado, ético e intelectualmente realizado.”

Dawkins, Richard. Deus um delírio. Tradução de Fernanda Ravagnani. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

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